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		<title><![CDATA[Ponto de Partilha]]></title>
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		<description><![CDATA[Blog de Fábio Brazil. Textos e conversas sobre poesia e outras vias. Palpites sobre um pouco de tudo. Textos, poemas e provocaçãoes. Ideias em ponto de partilha. Bem vindes. Obrigado pela visita, nos vemos por aqui.]]></description>
		<language>BR</language>
		<lastBuildDate>Fri, 22 May 2020 04:34:00 +0000</lastBuildDate>
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			<title><![CDATA[Comida & Arte]]></title>
			<author><![CDATA[Fábio Brazil]]></author>
			<category domain="http://www.fabiobrazil.com/blog/index.php?category=recentes"><![CDATA[recentes]]></category>
			<category>imblog</category>
			<description><![CDATA[<div id="imBlogPost_000000009"><div><span class="fs12lh1-5">Poesia não mata a fome. Poesia não mata a fome que não seja de poesia. </span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">Se a fome desumaniza, a comida sozinha não pode ser a resposta. </span></div><div><span class="fs12lh1-5">Se a fome é uma escolha política, a comida sozinha não pode ser a resposta. </span></div><div><span class="fs12lh1-5">Se a fome é a experiência do que há de mais cruel, comida sozinha não pode ser a resposta.</span></div> &nbsp;<div><span class="fs12lh1-5">Comida sim. </span></div><div><span class="fs12lh1-5">Comida antes, comida enquanto, comida durante, comida sempre. Comida. Comida a quem precisa. Sempre. </span></div><div><span class="fs12lh1-5">Fome é urgência e emergência! &nbsp;</span></div> &nbsp;<div><span class="fs12lh1-5">Mas para nós – Isabel e eu – algo nesse caminho sempre inquietou. </span></div><div><span class="fs12lh1-5">Somos artistas. Como podemos atuar além de ajudar a fazer a comida chegar onde precisa? Qual a nossa contribuição como artistas?</span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">Hoje a campanha Comida &amp; Arte do Instituto Caleidos atingiu a marca de 250 cestas-básicas para serem entregues a uma comunidade da zona Leste de São Paulo. É um número significativo e pelo qual devemos agradecer aos incontáveis apoios, às centenas de compartilhamentos nas redes e aos generosos doadores! Registro aqui minha gratidão.</span></div><div><span class="fs10lh1-5"> </span><br></div><div><span class="fs12lh1-5">Colocar meu trabalho com poesia a serviço de uma campanha como esta permite uma sensação muito especial. Desde sempre acreditamos que a arte pode também atuar nas fronteiras da educação e da política. Uma educação que politiza, uma arte que educa, uma política que cria. Acreditamos nisso. Acreditamos que nosso papel também é falar dos mundos possíveis, enquanto tornamos esse, suportável. Sensação de pisar no caminho certo. </span></div><div><span class="fs10lh1-5"> </span><br></div><div><span class="fs12lh1-5">Ao iniciar a campanha, não sabíamos qual aceitação nos esperava. Não era apenas uma cesta-básica. Junto a cada uma delas chegarão à casa das pessoas cartões de arte: de um lado imagens de Hannaa Lucatelli do outro poemas meus tematizando a Violência Doméstica contra mulheres. </span></div><div><span class="fs10lh1-5"> </span><br></div><div><span class="fs12lh1-5">As imagens das “deusas” criadas pela Hannaa são belíssimas, um empoderamento pelo belo que ela espalha por muros de todo o mundo e cativam à primeira vista. A mim, o outro lado. O tema difícil e necessário; e com algumas metas muito definidas: falar do assunto de forma direta, tentar falar com as mulheres, tentar falar com a vítima e com as mulheres do entorno, incorporar nos poemas os saberes e consensos estabelecidos pelos diversos estudos sobre o tema. </span></div><div><span class="fs10lh1-5"> </span><br></div><div><span class="fs12lh1-5">Esse foi o desafio de criação dos poemas. Penso que eles podem provocar alguma reflexão a respeito da Violência Doméstica em quem os receber; se provocarem, cumpriram sua função. Para nós, se há uma comunidade precisando que se leve comida para ela, é porque precisamos que a cidadania e a política cheguem ali também. &nbsp;Empoderar e fortalecer mulheres diz respeito a isso.</span></div><div><span class="fs10lh1-5"> </span><br></div><div><span class="fs12lh1-5">Acreditamos que quem vai manipular os pertences das cestas-básicas dentro da casa seja uma mulher. O desafio foi tentar dialogar com ela sobre uma questão que de alguma forma passa por ela. A violência doméstica alastrou-se junto ao Covid 19; a quarentena, para muitas mulheres foi ficar constantemente a mercê.</span></div><div><span class="fs10lh1-5"> </span><br></div><div><span class="fs12lh1-5">A Violência Doméstica não tem recorte de classe – está presente em todas – mas a informação a respeito dessa questão e o modo de reagir a ela, seja por parte da vítima ou por parte do entorno, tem recorte de classe. Sistemas de informação, de acolhimento, de proteção chegam com mais dificuldade às mulheres de camadas menos favorecidas.</span></div><div><span class="fs10lh1-5"> </span><br></div><div><span class="fs12lh1-5">Nosso caminho começava a se desenhar. Mulheres. Fortalecer mulheres e dialogar sobre Violência Doméstica. Enviar algo para ela. Um presente para ela. Algo além da comida. Poesia e imagens de mulheres que dialoguem com as mulheres. </span></div><div><span class="fs10lh1-5"> </span><br></div><div><span class="fs12lh1-5">Foi assim que chegamos à campanha Comida &amp; Arte. Porque comida e arte são indispensáveis. Comida e arte. Onde faltar comida, que se leve arte também. </span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">para saber sobre a campanha acesse: <a href="https://www.institutocaleidos.com/caleidos-solidario.php" onclick="return x5engine.imShowBox({ media:[{type: 'iframe', url: 'https://www.institutocaleidos.com/caleidos-solidario.php', width: 1920, height: 1080, description: ''}]}, 0, this);" class="imCssLink">www.institutocaleidos.com</a></span></div></div>]]></description>
			<pubDate>Fri, 22 May 2020 04:34:00 GMT</pubDate>
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			<title><![CDATA[DA ARTE DE FICAR EM CASA]]></title>
			<author><![CDATA[]]></author>
			<category domain="http://www.fabiobrazil.com/blog/index.php?category="><![CDATA[]]></category>
			<category>imblog</category>
			<description><![CDATA[<div id="imBlogPost_000000008"><div><span class="fs12lh1-5">Incrível como coisas que aconteceram há duas semanas parecem agora tão distantes no tempo que sequer as percebemos como recentes, salva-nos uma certa sincronia, que às vezes, só entendemos quando ela se impõe e nos assombra.</span><br></div><div><span class="fs10lh1-5"> </span><br></div><div><span class="fs12lh1-5">Essa não é uma sensação nova desde que fomos imersos nos meios digitais de interação, algo no tempo e na nossa relação com ele se transformou para sempre. O passado amontoou-se no atual; o futuro transformou-se no agora e desapareceu; o presente permanece inacessível. </span></div><div><span class="fs10lh1-5"> </span><br></div><div><span class="fs12lh1-5">Em meio a isso, algo de muito novo nos atingiu, estamos invadidos por uma dimensão temporal estranha, numa quarentena planetária, vivendo um tempo desconhecido no qual tudo que foi parece distante e nada do que virá parece reconhecível. Restam as permanências e as sincronias.</span></div><div><span class="fs10lh1-5"> </span><br></div><div><span class="fs12lh1-5">Há um mês recebi o convite do poeta Frederico Barbosa para participar de uma homenagem ao centenário de João Cabral de Melo Neto. Fred é uma permanência para mim. Apesar da pouca diferença de idade, nos conhecemos estando ele como meu professor de Literatura no Colégio Equipe, era a estreia dele como docente e a minha como seu admirador.</span></div><div><span class="fs10lh1-5"> </span><br></div><div><span class="fs12lh1-5">O evento, homenagem a João Cabral, outra permanência para mim e certamente para o Fred, aconteceria no dia 15/03 e os convidados foram instados a declamar um poema de João Cabral ou algum próprio que dialogasse com a obra cabralina. </span></div><div><span class="fs10lh1-5"> </span><br></div><div><span class="fs12lh1-5">Fiquei uma semana pensando em qual poema levaria. De João Cabral são tantos os imprescindíveis que apenas de procurar qual declamaria voltei a ter o mesmo prazer de quando os descobri, anos atrás. </span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">Nesse retorno, nesse momento de reencontro com o Fred e com João Cabral, acabei revendo poemas meus que ecoavam Cabral - muitos apenas exercícios canhestros de cópia - mas um se impôs pedindo para que eu o retrabalhasse. Parecia meu, tem a sombra da árvore maior, mas pareceu-me um fruto próprio. Recuperei o poema. Trabalhei com algumas tintas atuais a tela já iniciada tempos atrás. Estava pronto!</span></div><div><span class="fs10lh1-5"> </span><br></div><div><span class="fs12lh1-5">Certo que declamaria A MULHER E A CASA de João Cabral e levaria o meu FICAR EM CASA. Como sabemos, o evento, como tantos outros, ficou esvaziado pelo perigo das aglomerações e eu, por idade e prudência, fiquei de fato em casa espantado pela sincronia do meu poema com o que se tornaram os dias de quarentena em que ainda estamos imersos.</span></div> &nbsp;<div> </div> &nbsp;<div><b class="fs12lh1-5">FICAR EM CASA</b></div> &nbsp;<div> </div> &nbsp;<blockquote><div><span class="fs12lh1-5">Ficar em casa</span></div></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">não é sobre o lá fora</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">o que se teme ou se ignora</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">não é</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">sobre o por fazer</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">que se traz ou fica</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">não é sobre isso</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5"> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;ou aquilo</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">é sobre aqui</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">mas não agora</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">senão um sempre e</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">dentro.</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5"><br></span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">Não é sobre o sol ou o vento</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">que se perde ou entra</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">não é sobre paredes</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">antes</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">é sobre janelas e portas</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">e o aberto antes e</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">dentro.</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5"><br></span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">Não é sobre o número</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">de passos ou posses</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">que cabem no espaço</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">é sobre o nome</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">que se meia</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">quando se entra</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">e entremeia</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">ou se está</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">dentro.</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5"><br></span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">Ficar em casa como quem está</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">e estar como quem sempre</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">vem e entra e senta e janta</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">visita que fica</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">e come o que se arranja</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">no círculo mínimo</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">e íntimo</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">de um prato pleno</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">do que se fez</span></blockquote><blockquote><span class="fs12lh1-5">dentro.</span></blockquote></div>]]></description>
			<pubDate>Tue, 24 Mar 2020 21:59:00 GMT</pubDate>
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			<title><![CDATA[Lançamento, estreia e outras ideias]]></title>
			<author><![CDATA[Fábio Brazil]]></author>
			<category domain="http://www.fabiobrazil.com/blog/index.php?category=recentes"><![CDATA[recentes]]></category>
			<category>imblog</category>
			<description><![CDATA[<div id="imBlogPost_000000006"><div><span class="fs11lh1-5">LANÇAMENTO, ESTREIA e MAIS IDEIAS</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><span class="fs11lh1-5">E foi uma festa linda, maior do que eu esperava ou merecesse.</span><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Calhou o destino de lançar o Ponto de Partilha no dia em que Lula foi solto do cativeiro em Curitiba. E nessa explosão de alegria sequestrada, estavam no caminho: eu, o livro, os amigos e umas tantas garrafas de vinho. Foi o que bastou. Fomos carregados. A noite histórica fez tudo parecer maior. E foi grande.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Um lançamento para não esquecer. Roda de Poesia e Dança, sensacional; show de Alexandre Mello, magnético.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Convoquei os bailarinos por WhatsApp – a maioria já não está no elenco regular do Caleidos Cia. Falei que queria um presente no meu lançamento e que iríamos apenas retomar alguns exercícios de composição e experimentos velhos conhecidos. &nbsp;Como disse a Isabel, pedi aos bailarinos um presente, mas eles nos deram uma festa. Ficou lindo demais. Claro que eu já havia visto poemas meu virarem dança – nos espetáculos do Caleidos – mas vê-los ali por eles mesmos e não servindo a uma dramaturgia, para serem mostrados e partilhados na Roda de Poesia e Dança, foi diferente. Foi especial.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Ver os poemas com olhos novos, foi a tônica de minha noite. Vê-los editados e impressos não é novidade, mas em formato de livro foi estranho, vi o livro pela primeira vez às 19h daquele dia - confesso que ainda não trouxe um livro para casa para folhear e eventualmente ler. Eu, em livro... estranho.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">O estranhamento maior foi ver os poemas travestidos de canções. Desisti de tentar letras há bastante tempo, a última tentativa séria foi aos 15 anos com o parceiro Luciano Mazzeo (hoje músico bem festejado). Depois disso. Desisti. Faltava mão e ouvido.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">A história das canções que foram apresentadas no show do lançamento é bem simples. Ao fechar o livro, durante o processo de escolha dos poemas, alguns teimaram em ficar de fora, não cabiam, não se encaixavam no conjunto a ser publicado. Mas se não eram poemas...</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Arrisquei mandá-los ao Alexandre para um diagnóstico seguro. Alexandre Mello é um músico atravessado de teatro, atravessado de cena, atravessado de poemas, cantante do Poema Novo junto à incrível Neide Nell, ele saberia dizer o que aqueles textos eram. </span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">E ele os devolveu em forma de canções. Revelou as letras que havia ali. Já havia visto poemas virarem dança e cena e isso sempre me assombra e me emociona ao declamar para os bailarinos. Mas canções é outro tipo de transformação. Se já era incrível ser dançável, agora sou cantável. E já me pego coçando a cabeça para ver se erro mais poemas e consigo acertar umas letras novas. Como também fico me perguntando quando é que os poemas visuais também virarão livro e como será a Roda de Poesia e dança com eles e tal... Esse negócio de publicar vicia.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">No horizonte próximo, mais que dançável, terei que dançar. O espetáculo <b><i>silêncio</i></b> está há alguns dias de sua estreia e ainda estranho ver meu nome no elenco. Já fui diretor, dramaturgo, cenógrafo, declamador em off, fotógrafo, iluminador, produtor e designer; mas elenco, em cena? Imenso desafio. Se o letrista foi abandonado aos 15, o ator ficou ali pelos 21, o bailarino certamente não veio. Felizmente a montagem dialoga mais com a dança-teatro do que com a dança-dançada.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">O papel no espetáculo é pequeno e simples, mas ao invés de substituir os de diretor, dramaturgo, cenógrafo, declamador em off, fotógrafo, iluminador, produtor e designer - uma vez que exige de mim algo que me foge completamente – soma-se a eles. Para me dar força, ensinamento e coragem, haverá também em cena a diretora, coreógrafa, ensaiadora, mestre de dança, dramaturga, produtora, gerente de produção, professora e figurinista Isabel Marques. Vamos nos sair bem. O restante do elenco - Bruna Mondeck, Ricardo Mesquita, Julimari Pamplona e Marcelo Pessoa - nos ajudará na empreitada.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Ficam aqui três convites, dois virtuais e um físico.</span></div> &nbsp;<div><span class="fs11lh1-5">Seguem links do lançamento de PONTO DE PARTILHA:</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Roda de Poesia e Dança – &nbsp;</span><a href="https://vimeo.com/372740239" onclick="return x5engine.imShowBox({ media:[{type: 'vimeo', url: 'https://vimeo.com/372740239', width: 1920, height: 1080, text: '', 'showVideoControls': true }]}, 0, this);" class="imCssLink inline-block"><img class="image-0" src="http://www.fabiobrazil.com/images/1486348528-forward-arrows-arrow-front-go_80452_06xjgknn.png"  title="" alt=""/></a></div><div><br></div><div><span class="fs11lh1-5">Show de Alexandre Mello – </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kXtD8riXdcE" onclick="return x5engine.imShowBox({ media:[{type: 'youtube', url: 'https://www.youtube.com/watch?v=kXtD8riXdcE', width: 1920, height: 1080, text: '', 'showVideoControls': true }]}, 0, this);" class="imCssLink inline-block"><img class="image-1" src="http://www.fabiobrazil.com/images/1486348528-forward-arrows-arrow-front-go_80452_ax2bjqal.png"  title="" alt=""/></a></div><div><br></div><div><b><i class="fs11lh1-5">silêncio</i></b></div><div><span class="fs11lh1-5">estreia dia 21/11, quinta às 20.30h</span></div><div><span class="fs11lh1-5">sexta e sábado, dias 22 e 23 às 20.30h</span></div><div><span class="fs11lh1-5">domingo, 24/11, às 19h</span></div><div><span class="fs11lh1-5">30 lugares</span></div><div><span class="fs11lh1-5">entrada franca / contribuição consciente</span></div><div><span class="fs11lh1-5">retirar ingressos com 30 minutos de antecedência </span></div></div>]]></description>
			<pubDate>Sat, 16 Nov 2019 22:04:00 GMT</pubDate>
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			<title><![CDATA[QUEBRA CABEÇA]]></title>
			<author><![CDATA[Fábio Brazil]]></author>
			<category domain="http://www.fabiobrazil.com/blog/index.php?category=recentes"><![CDATA[recentes]]></category>
			<category>imblog</category>
			<description><![CDATA[<div id="imBlogPost_000000004"><blockquote><blockquote><div><b class="fs12lh1-5">A ILHA NO LAGO</b></div></blockquote><blockquote> &nbsp;</blockquote><blockquote><div><span class="fs12lh1-5">Oh Deus, Oh Vênus, Oh Mercúrio, patrono dos malandros</span></div></blockquote><blockquote><div><span class="fs12lh1-5">deem-me no tempo propício, eu imploro, uma pequena tabacaria</span></div></blockquote><blockquote><div><span class="fs12lh1-5">com caixinhas brilhantes</span></div></blockquote><blockquote><div><span class="fs12lh1-5"> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;caprichosamente empilhadas sobre as prateleiras</span></div></blockquote><blockquote><div><span class="fs12lh1-5">e a suave fragrância de tabaco fino</span></div></blockquote><blockquote><div><span class="fs12lh1-5"> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;e fumo de rolo</span></div></blockquote><blockquote><div><span class="fs12lh1-5">o brilhante Virgínia</span></div></blockquote><blockquote><div><span class="fs12lh1-5"> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;brilhando suave sob um balcão de vidro,</span></div></blockquote><blockquote><div><span class="fs12lh1-5">e um par de balanças limpas,</span></div></blockquote><blockquote><div><span class="fs12lh1-5">e prostitutas entrando e saindo para uns dedos de prosa,</span></div></blockquote><blockquote><div><span class="fs12lh1-5">prosa fiada, ou para ajeitar o cabelo.</span></div></blockquote><blockquote><div><span class="fs12lh1-5">Oh Deus, Oh Vênus, Oh Mercúrio, patrono dos malandros</span></div></blockquote><blockquote><div><span class="fs12lh1-5">emprestem-me uma pequena tabacaria</span></div></blockquote><blockquote><div><span class="fs12lh1-5"> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;ou deem-me outra profissão</span></div></blockquote><blockquote><div><span class="fs12lh1-5">que não esta maldita profissão de escrever</span></div></blockquote><blockquote><div><span class="fs12lh1-5"> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;na qual se quebra a cabeça o tempo todo. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</span></div></blockquote></blockquote><div> </div><span class="fs11lh1-5"> &nbsp;</span><div> </div><span class="fs11lh1-5"> &nbsp;</span><div><span class="fs11lh1-5">Fiz esta versão do poema “The Lake Isle” de Ezra Pound há muitos anos. </span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Na época, além do prazer de descobrir e traduzir essa joia, pensava em juntar este e sua tabacaria com à outra tabacaria, a do Fernando Pessoa, e fazer uma leitura propondo um diálogo entre os poemas; isso aconteceria num evento chamado VERSO E VINHO – que consiste em reunir pessoas, garrafas, boa prosa e poemas. O evento não aconteceu e o poema ficou comigo. Perambulou por alguns Aparelhos e foi empoeirar-se de pixels num arquivo chamado “traduções”.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">De uns tempos para cá o poema voltou em mim. Viver de arte em tempos de Golpe, de Temer e de bozonarismo explícito é um exercício e tanto, faz a gente sonhar com uma pequena tabacaria como se fosse a solução de todos os problemas. “Oh Mercúrio, patrono dos malandros”.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Como a maioria dos amigos sabe: ainda não abri uma tabacaria. Continuamos a manter as esperanças no Caleidos e lentamente vamos aprendendo a driblar o desastre coletivo em que nos metemos. Com a ajuda de “Deus, de Vênus” e dos amigos. Até eventos como o VERSO E VINHO estamos retomando e entendendo que precisamos cada vez mais reunir pessoas, garrafas, boa prosa e poemas.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Esta semana o poema voltou com mais força. Não pela tabacaria e as suas promessas de vida simples, segura e regular, mas pelo “quebrar a cabeça o tempo todo”. </span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Faz três dias que o livro de poemas PONTO DE PARTILHA voltou da revisão da editora. Pouquíssimas correções em relação ao uso da língua (ufa!). Mas olhei para cada um dos poemas e pensei: “amigo, essa será a sua forma final”. E claro, alguns deles me fizeram voltar a quebrar a cabeça.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Alguns poemas voltaram a me paralisar, ficar pensando sobre qual a melhor escolha entre duas ou três palavras, ou se devia privilegiar o ritmo com um verso mais longo ou o entendimento isolando uma palavra... deve ser mais fácil tocar uma tabacaria, administrar a prosa com as prostitutas e manter um par de balanças limpas, deve ser mais fácil. </span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Consegui terminar hoje a última revisão e devolvi o arquivo para a Editora Patuá. Na verdade, é a penúltima, ele ainda volta diagramado em forma de livro e posso mudar uma ou outra coisinha... “deem-me outra profissão”.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">O lançamento já está marcado! Dia 08 de novembro no Caleidos. Uma noite cheia de atrações e delícias. Poemas misturados com dança, poemas misturados com canções, poemas misturados pela leitura dos amigos, poemas misturados com as pessoas, como devem ser! Diversão garantida! - o único risco é, com o livro na mão, lendo um poema em Aparelho, perceber que de outra forma ele seria melhor, com outra escolha ele seria mais claro, com outra palavra mais contundente... “maldita profissão de escrever”. Bem vindos.</span><br></div></div>]]></description>
			<pubDate>Thu, 31 Oct 2019 12:30:00 GMT</pubDate>
			<link>http://www.fabiobrazil.com/blog/?quebra-cabeca</link>
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			<title><![CDATA[SILÊNCIO E OUTROS ASSUNTOS]]></title>
			<author><![CDATA[]]></author>
			<category domain="http://www.fabiobrazil.com/blog/index.php?category="><![CDATA[]]></category>
			<category>imblog</category>
			<description><![CDATA[<div id="imBlogPost_000000002"><div><span class="fs11lh1-5">Olá; silêncio para mim sempre foi assunto. Sempre achei intrigante termos uma palavra para a ausência delas. </span></div><div><span class="fs11lh1-5">Sim temos palavras para tudo, mas essa em especial é linda. Silêncio.</span></div><div><span class="fs11lh1-5">É linda e é musical e é forma e conteúdo e é uma palavra que sozinha já é um poema.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Fisicamente, silêncio, como ausência de qualquer ruído nem existe pelas bandas de “prá cá do vácuo” (outra palavra sensacional); já na comunicação, o silêncio é ainda mais lindo: é uma comunicação sem mensagem; ou cuja mensagem é o próprio canal, ou possibilidade de mensagem, e a mensagem fica sendo essa via aberta. Um vácuo sobre Atlas.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Mas o silêncio de que devo tratar aqui é e não é outro. É outro, pois devo tratar do espetáculo de dança que estamos remontando, mas o caso é que o espetáculo é baseado num poema que &nbsp;trata justamente desse silêncio do qual falava acima.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5"><b><i>silêncio</i></b>, o espetáculo, foi a primeira experiência que realizamos, Isabel e eu, a respeito de montar um trabalho de dança e poesia. Era 2002. O poema já existia desde 1998 e data mais ou menos dessa época nossas primeiras inquietações a respeito de propor a poesia como arte de performance e ao mesmo tempo propor que a dança se apropriasse da poesia como dramaturgia e estrutura de composição. </span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><img class="image-1 fleft" src="http://www.fabiobrazil.com/images/Silencio-fotos-Edison-Miranda--10-.JPG"  title="" alt=""/></div> &nbsp;<div><span class="fs11lh1-5">Na primeira montagem – com Soraya Sabino e Marcos Moraes em cena, música de Daniel Brazil e o restante da ficha técnica dividida entre Isabel e eu – o resultado ficou tão bom que foi com esse trabalho que participamos da primeira Mostra de Dança Contemporânea de São Paulo. Depois disso o trabalho ficou lá, como marco histórico para nós e lembrança para alguns amigos.</span></div><div><span class="fs10lh1-5"> </span><br></div><div><span class="fs11lh1-5">Ao escrever o Projeto PONTO DE PARTILHA para o prêmio ProAc de poesia, achei que deveria oferecer um trabalho de dança e poesia, afinal minha história passa por esse entroncamento. Por algum motivo, mais especificamente, achei que deveria remontar o <b><i>silêncio</i></b>. Quando digo “por algum motivo” é porque naquele momento eu não sabia.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Não sabia que mergulhar nos poemas, em todos os poemas, iria mexer tanto comigo. Visitar cada poema, para fazer as escolhas do que publicar, foi como voltar de alguma forma aos motivos e sensações que fizeram cada poema nascer. Por mais que a carpintaria posterior reformule os cenários e a maquiagem melhore ou disfarce as figuras, o que está no fundo do poema é o que viveu aquele que o escreveu. E é aí que o silêncio pega.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">O poema <b><i>silêncio</i></b>, longo poema, trata de uma cena muito simples e banal, que talvez nem exista mais. O casal, na mesa, num fim de relacionamento, tomando sopa e para não se olharem e preencherem aquele tempo, leem as embalagens sobre a mesa, como se houvesse algum interesse em fenilcetonúricos, glutamatos monossódicos ou 40 palitos em média. &nbsp;A imagem de fundo é essa. O que o poema propõe e o espetáculo transforma em dança e cena é a explosão de tudo que está contido nesse recorte triste e banal. </span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Claro que quem está ali atrás sou eu e a história de um fim de relacionamento e claro que é bastante perturbador voltar a isso. Mas uma das coisas que a arte tem de mais valiosa é justamente a possibilidade de poder voltar e reviver aquilo como outro e para o outro. Nesse caso, voltar duas vezes, à montagem anterior e aos motivos do poema existir. Deus abençoe a carpintaria e a maquiagem. </span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">As primeiras tentativas de escrever o poema datam de 25 anos atrás: o recurso que os casais brigados tinham eram as embalagens sobre a mesa, as perspectivas de “casal” em cena eram heteronormativas e a minha percepção era de um lirismo mais focado no eu, sem perceber com a clareza de hoje o entrecruzamento dos contextos nas intimidades. Essas características, que de alguma maneira migraram para a primeira montagem, hoje teriam grande dificuldade de convencer o público mais exigente, e principalmente a nós envolvidos na remontagem.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Mas como atualizar tudo isso? Como fazer um trabalho que dialogue com o modo de criar que o Caleidos Cia tem hoje a partir de um poema “envelhecido”? – se o drama lírico amoroso não envelheceu, casais ainda se separam após um duro momento de silêncio, perda de interesse e ruptura da intimidade, o modo de exteriorizar isso é outro. Casais são outros, finais são outros, celulares e redes sociais invadiram nossos silêncios e nossas intimidades. Ler embalagens hoje é cool e engajado.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Recuperar o trabalho nos tem feito pensar e estudar um pouco mais sobre o que entendemos por intimidade hoje – além dos nudes e do Tinder. O que é esse silêncio barulhento das redes sociais que nos protege do silêncio nos relacionamentos próximos? Quais os outros assuntos que atravessam o assunto que se revela e se esconde no silêncio que antecede o fim?</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Trazer isso para uma emergência de dança tem sido nosso desafio. Desafio maior que o de 2002, quando criamos pela primeira vez um espetáculo de dança baseado nesse poema. Estamos há um mês e alguns dias da estreia; antes da estreia teremos o lançamento do livro PONTO DE PARTILHA e isso rouba um pouco nossa atenção. As dúvidas muitas vezes só aumentam; a solução do ensaio de hoje, já não funciona no de amanhã. &nbsp;O vácuo sobre Atlas, pesa. Vamos em frente. É certo que estrearemos bem.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">O silêncio de 2002 abriu um grande ciclo e criação para o Caleidos Cia. &nbsp;que esse, que estamos montando agora, nos parece vir para encerrar. Fim de ano, fim de ciclo, poesia publicada. Remontar o silêncio, que trata de um fim, nos assusta e nos faz pensar num grande renascer, com tudo de belo e de abalo que isso implica. </span></div><div><span class="fs11lh1-5">Se esse é o final de um ciclo, que seja como o fim de um grande amor, o primeiro de definitivo passo para o novo grande amor. Bem-vind@s.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5"><img class="image-2" src="http://www.fabiobrazil.com/images/2.jpg"  title="" alt=""/></span><br></div> &nbsp;<div> </div> &nbsp;<div> </div> &nbsp;<div> </div> &nbsp;<div> </div> &nbsp;<div> </div></div>]]></description>
			<pubDate>Fri, 25 Oct 2019 20:14:00 GMT</pubDate>
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			<title><![CDATA[ORIGINAIS NA EDITORA]]></title>
			<author><![CDATA[Fábio Brazil]]></author>
			<category domain="http://www.fabiobrazil.com/blog/index.php?category=recentes"><![CDATA[recentes]]></category>
			<category>imblog</category>
			<description><![CDATA[<div id="imBlogPost_000000001"><div><span class="fs11lh1-5">Olá. E como diz o título, os originais do livro de poesia foram entregues. Ainda voltam a mim uma ou duas vezes, há tempo de me arrepender. Após 08 de novembro, dia do lançamento de Ponto de Partilha, não haverá mais tempo. &nbsp;A poesia que fui colecionando, será embalada em livro e entregue a quem a quiser. Fica aqui o convite. 08 de Novembro, 20h no Caleidos.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">É uma sensação estranha. Acreditem.</span></div><span class="fs11lh1-5"> &nbsp;</span><div><span class="fs11lh1-5">Claro que estou feliz, claro que é um prêmio – e é mesmo, ProAc da Secretaria da Cultura do Estado – claro que há uma certa apreensão misturada com excitação e que se traduz numa sensação muito boa. Mas tem algo de estranho nisso tudo.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">O problema de publicar pouco, ou de esperar muito para publicar o pouco que se escreve, é que o livro resultante ganha uma dimensão imensa. &nbsp;</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">O primeiro e maior desafio foi enfrentar esse segundo “pouco”. Eu escrevo pouco. Nunca fui caudaloso. Nem em tamanho ou quantidade de poemas. Já tive vontades vencidas de ser mais profícuo, mas como alguém já disse: poesia vem quando quer, e para mim, como quer. Desse modo, a coleção de poemas que juntei, não é tão grande como poderia sugerir a ideia de “30 anos” que ficou associada ao projeto vencedor do prêmio, “Ponto de Partilha, 30 anos de poesia”. </span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Quando fui selecionar e organizar os poemas para a publicação, assustei. Deveria haver mais. Atacou-me uma sensação de “só isso”, um arrependimento de não haver escrito mais sobre tanta vida vivida ou desvivida que tive. Essa sensação contribuiu para o estranhamento de que falo.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Outra questão é que publicar pouco pode criar um tanto de falsas expectativas. Pode ser que os amigos próximos esperem algum “grande tesouro” de tão guardado e por tanto tempo... &nbsp;e como serão eles o primeiro e talvez único público a ser atingido pela publicação, fico aqui eu ruminando com meus botões de insegurança. </span></div><span class="fs11lh1-5"> &nbsp;</span><div><span class="fs11lh1-5">Bem, são amigos, já devo tê-los decepcionado de outras formas.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">A escolha do que publicar também não foi fácil. Tentei fugir. Tentei terceirizar. Acreditei que outra pessoa poderia fazer. Falei com duas pessoas, bem sabidas e entendidas em poesia. Não se animaram, não insisti. Desisti. Uma delas me perguntou se seriam uns 500 ou 600 textos, outra sugeriu que eu deveria me resolver na prosa antes, para me sair melhor no desenrosco com a poesia. Ambos estavam certos e errados ao mesmo tempo. Sim, deveriam ser 500 ou 600 poemas para escolher quais publicar – não são, não foram. E, sim, eu já caminhei pela publicação de prosa com mais vigor que pela poesia, e talvez terminando o romance que abandonei ao receber o prêmio de poesia, alguma sensação de ordem – interna e externa - sugerida pela prosa ajudasse a organizar o material poético. Não voltei o romance. &nbsp;Hoje agradeço às duas pessoas por me mostrarem que essa escolha só poderia ser feita por mim.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Mas como organizar? O que escolher?</span></div><span class="fs11lh1-5"> &nbsp;</span><div><span class="fs11lh1-5">A primeira conversa com o editor – Eduardo Lacerda da Patuá – foi muito esclarecedora em decidir o que não iria publicar. Após a conversa, decidi que deixaria os poemas ligados aos espetáculos de dança e os poemas com apelo mais visual de fora dessa primeira publicação. Foi uma decisão importante. Traçou fronteiras e limites onde nunca houve. Criou divisões e organizações onde não havia. Por outro lado, deixou de fora dessa publicação a parte mais conhecida do que escrevo, a parte que conseguiu atingir um círculo um pouco maior do que os amigos mais próximos. A poesia visual se espalhando pela rede social, especialmente pelo instagram ( @fabio_brazil ) e a poesia que caminha com a dança seguindo o passo do Caleideos Cia. &nbsp;</span></div><div> </div><span class="fs11lh1-5"> &nbsp;</span><div><span class="fs11lh1-5">Para o livro &nbsp;Ponto de Partilha escolhi a poesia em verso, mais recatada em termos de forma e mais desvinculada de projetos fechados como as que servem de dramaturgia para a dança. São poemas escritos por mim nos últimos 30 anos. A ligação entre eles é um fluir interno que me sugeriu a leitura deles em conjunto. Descartei a ideia de sequência cronológica ou alguma organização temática. </span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">A cronologia seria tão difícil quanto inútil. Difícil porque muitos dos poemas nasceram em cadernos e migraram de computador em computador e foram modificados e revistos tantas vezes que a data de origem pouco acrescentaria e ainda poderia sugerir uma falsa ideia de progressão ou direção ou destino ou busca que não existe em absoluto. Uma organização temática poderia fixar leituras e forçar entendimentos que ao final, serviriam a quem?</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Optei pela ilusão de acreditar que consegui um tipo de acordo com os poemas, deixar que um poema convocasse o próximo. E por semelhança, contraste, sintonia de sensação, complemento ou mudança de foco, o livro foi nascendo e se “auto organizando”. Essa escolha tem a ver com motivo último dessa publicação. Eu devia isso aos poemas.</span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">Alguns estão há tanto tempo comigo, já me abrigaram de tantas incertezas e procuras, que publicá-los é uma forma de retribuir a eles o que fizeram por mim. Estando comigo por tanto tempo, cuidando para que eu me reconhecesse em mim, hora de crescermos. Hora dos poemas tomarem seus caminhos, mesmo que seja chegar apenas até a estante de livros na casa dos amigos. </span></div><div><span class="fs11lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs11lh1-5">O estranhamento de que iniciei falando, é esse. A gaveta está vazia, os poemas chegaram ao ponto de partilha. Bem-vindos ao desembarque. </span></div></div>]]></description>
			<pubDate>Wed, 09 Oct 2019 18:22:00 GMT</pubDate>
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			<title><![CDATA[APARELHO DE POESIA, 18 anos.]]></title>
			<author><![CDATA[Fábio Brazil]]></author>
			<category domain="http://www.fabiobrazil.com/blog/index.php?category=recentes"><![CDATA[recentes]]></category>
			<category>imblog</category>
			<description><![CDATA[<div id="imBlogPost_000000000"><div><span class="fs12lh1-5">Olá.</span></div><div><span class="fs12lh1-5">Há pouco tempo fizemos umas contas e descobrimos que o Aparelho de Poesia tem 18 anos! </span></div><div><span class="fs12lh1-5">Isso é bastante! Não é comum que um evento de poesia alcance a maioridade penal. Mas aconteceu e chegamos à 54ª edição. </span></div><div><span class="fs12lh1-5">Outro fenômeno interessante, ligado à longevidade do Aparelho de Poesia, é que desde 2001, muitas pessoas que conhecem a Isabel, o Caleidos ou a mim, convivem com esse nome - Aparelho de Poesia - sem saber muito bem do que se trata.</span><span class="fs12lh1-5"> </span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">O</span><span class="fs12lh1-5"> nome está </span><span class="fs12lh1-5">nos nossos convites, propagandas e nas nossas mídias e a maioria dos destinatários não sabe muito bem o que significa. Assim, acho que vale começar clareando um pouco esse ponto. A palavra</span><span class="fs12lh1-5"> </span><span class="fs12lh1-5"><i>aparelho</i></span><span class="fs12lh1-5"> utilizada no nome do evento, não diz respeito a qualquer objeto para uso em qualquer finalidade; antes, </span><span class="fs12lh1-5"><i>aparelho</i></span><span class="fs12lh1-5">, nesse nome, foi utilizada na sua acepção de lugar. Aparelho é o nome que se dá a um local secreto de reunião ou esconderijo de um grupo político clandestino; e foi dessa ideia que nasceu o nome do evento: Aparelho de Poesia. </span><span class="fs12lh1-5"> </span></div><div><span class="fs12lh1-5">C</span><span class="fs12lh1-5">om isso já sabemos que é um evento que acontece num determinado lugar.</span></div><div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">O evento é uma reunião nada secreta de pessoas que se encontram para viver a clandestinidade da poesia. O evento acontece no bar do Caleidos e vivemos a poesia por meio da leitura e criação no ato da leitura. Esse é o foco: encontro-leitura-poesia e as delícias de um bar. Sobre a clandestinidade da poesia em nosso país e a aproximação dos fruidores de poesia com uma "organização secreta" é preciso considerar o momento em que o Aparelho de Poesia foi criado para que se entenda melhor a piada. </span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><div><span class="fs12lh1-5">O Aparelho de Poesia nasceu em 2001, no embalo da minha saída de sala-de-aula, abertura do Caleidos Arte e Ensino, primeira sede do Caleidos Cia de Dança e primeiro espaço de arte dirigido por Isabel e por mim. E tudo isso tem a ver com o Aparelho de Poesia: Isabel, Caleidos, sala-de-aula e espaço de arte. Hoje, &nbsp;com</span><span class="fs12lh1-5"> </span><span class="fs12lh1-5">18 anos e 54 edições, o Aparelho de Poesia atinge a maioridade e suscita algumas reflexões.</span></div></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">Ali pelo início dos anos 1990, a poesia brasileira, pelo menos a que era visível para a maioria, aparentava uma certa paradeira; &nbsp;a geração de 30 e 45 se despedindo; os meninos marginais dos mimeógrafos e xerox amadurecendo, mas sem ocupar o espaço crítico-acadêmico das universidades, dos jornais ou mesmo das livrarias; as resistências </span><span class="fs12lh1-5"><b>à</b></span><span class="fs12lh1-5"> e </span><span class="fs12lh1-5"><b>da</b></span><span class="fs12lh1-5"> Poesia Concreta dominando o pouco debate de ideias. A publicação em</span><span class="fs12lh1-5"> livro, objeto de luxo e fetiche, era algo muito difícil e de raro acesso para os poetas. &nbsp;As grandes editoras, quase sempre de portas fechadas para os poetas, principalmente para os estreantes, apostavam somente nas traduções ou livros de poetas consagrados em tiragens pequenas; as edições previamente pagas nas pequenas editoras eram pouco atrativas; restavam as heroicas editoras autorais se sustentando na valentia de seus criadores num tabuleiro dominado por um mercado tímido de livrarias que se apequenavam diante de qualquer risco. Considere-se aqui as sempre relevantes honrosas excessões a esse raciocínio.</span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">Gostar de poesia nesse contexto não era muito diferente de pertencer a uma sociedade secreta. E claro, a sociedade não secreta, a sociedade ela mesma, de modo geral, ao mesmo tempo que utilizava notas de 50 Cruzados Novos com Carlos Drummond na estampa e a Canção Amiga ao fundo, era, como ainda é, bem pouco amiga da poesia. "Os poetas malditos não são uma criação do romantismo: são o fruto de uma sociedade que expulsa aquilo que não se pode assimilar", bem nos ensinou Octavio Paz, no Verbo Desencarnado. Éramos nós os desencarnados. </span><span class="fs12lh1-5">No Aparelho, nos reunimos e sobrevivemos. </span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">E vamos continuar essa história pela via da sobrevivência. </span><span class="fs12lh1-5">Durante alguns anos, na tal década de 1990, antes do Caleidos, fui professor de literatura. Essa experiência também tem a ver com o Aparelho. &nbsp;Naquele tempo, não era raro eu ouvir de alunos a confissão de que não gostavam de literatura, mas gostavam de me ouvir declamar em sala de aula. É fato que eu fazia disso um momento especial, senão pela apresentação, pelo menos pela exigência de silêncio para que os autores pudessem ser ouvidos na minha voz. Entendi ali, que havia mais um problema de embalagem que de produto em relação à poesia; alguns poemas contaminavam as turmas e sei que se reuniam para leituras &nbsp;das apostilas/antologias que eu preparava e lia para eles em sala. A oralidade da poesia vencia medos e preconceitos. Guardei isso comigo.</span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">Desse tempo em sala de aula trago boas lembranças e alguns amigos que perduraram e até frequentam o Aparelho de Poesia. E</span><span class="fs12lh1-5">ntre as muitas coisas que eu gostava de refletir junto com os estudantes, e que de alguma forma iluminam esse olhar sobre a criação do Aparelho, uma sempre me divertia: o assombro que é o fato de um conjunto de informações, recursos e procedimentos estéticos se transformar numa tendência que marca uma época porque responde a necessidades e anseios diferentes de artistas muito díspares em lugares e sociedades muito distantes. Nunca chegávamos a grandes conclusões sobre isso, mas eu gostava de tentar impressioná-los com o que ainda hoje me espanta.</span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">Hoje, quase 20 anos após a criação do Aparelho de Poesia, vejo que ele dialoga com um grupo maior de fenômenos que surgiram e se estabeleceram mais ou menos de forma simultânea </span><span class="fs12lh1-5">em São Paulo, como uma das marcas da poesia de nosso tempo.</span><span class="fs12lh1-5"> Percebo que há algumas linhas comuns que podem ser apontadas senão na poesia, propriamente dita, pelo menos na forma de fruição dela e que eclodindo no final dos anos 1990 se consolidaram nas primeiras décadas deste século.</span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">Um primeiro aspecto comum aos diversos caminhos abertos naquele momento é a poesia se despregando do livro. Claro que isso só poderia acontecer depois de muita revolução dentro do livro, no campo de batalha da página. E nesse campo, a Poesia Concreta e a Poesia Visual estão no contexto das maiores conquistas. Mas o salto da poesia para fora do livro e da leitura silenciosa, que também encontra impulso nas explorações de um "concretismo" visto de maneira ampla, precisava dialogar também com as artes da presença e da performance. </span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">Antes de continuarmos, é importante ressaltar que o casamento da poesia com o livro sempre acenou mais com o possível do que com o estável. Nascida e criada na voz e no encontro, o livro que preserva, também aprisiona a poesia. Embalada pela mercadoria livro, a poesia mais dorme que circula. O livro que acomodou perfeitamente a prosa do romance, nem sempre foi o melhor abrigo para a poesia e lar para os poetas. Assim, não digo que houve qualquer divórcio, mas hoje a relação é aberta e a situação é de um poliamor. </span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">Nessa abertura da relação, a poesia reencontrou a voz nos saraus, encontrou espaço cênico nas performances, foi à rua em lambes e grafites, estabeleceu nova relação com a música e com o teatro. Sem contar seu desembarque nos sites, blogs e redes sociais. O sarau é hoje um fenômeno dos mais importantes para a poesia, principalmente aquela que se atrela às questões sociais e identitárias e se torna voz das periferias propondo novas formas de socialização e fruição de arte; a poesia slam surge como arte viva, ao vivo e aos vivos na mesma rua onde as livrarias estão fechando. O Aparelho não está distante destas propostas e nasceu na mesma época. Certamente pelas mesmas necessidades e influências e respondendo a "</span><span class="fs12lh1-5">um conjunto de informações, recursos e procedimentos estéticos" daquele momento e que vieram a "se transformar numa tendência que marca uma época"</span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">No Aparelho o protagonismo é da leitura e da voz. Os poemas, dispostos num caderno xerox previamente preparado para o encontro, estão ali, só esperando para renascerem na voz de alguém. Cada um recebe seu caderno na entrada e todos podem ler como e quando quiserem, basta anunciar página e título. O bar silencia e recebe o poema daquela voz. Como o protagonismo é da leitura, muitas pessoas podem ler o mesmo poema, podem ler juntas, podem propor novas formas de ler o poema, podem juntar dois poemas e criar um terceiro ali mesmo, em tempo real. E é nesse ponto que o Aparelho dialoga com o Caleidos Cia.</span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">Em 1998, quando conheci a Isabel e o Caleidos Cia, muitas coisas me encantaram ali. Entre tantas, duas se destacam em relação à poesia. Naquele momento, o trabalho mais marcante do Caleidos, e especial ainda hoje, era o Coreológicas. Trabalho pioneiro em propor interatividade por meio da linguagem da dança; insuperável no propósito de construir conhecimento e fruição de arte por meio da participação do público; &nbsp;e ainda hoje, mesmo quando muitos grupos diluem a interação numa estrada batida e convencional, um trabalho único em propor participação crítica e criativa para o público e não o inofensivo modelo/cópia que se distancia da arte. E foi justamente a ideia de proposição-cênica - &nbsp;desenvolvida por Isabel Marques que concebeu, dirigiu e dançou os espetáculos Coreológicas por alguns anos - que deu o caminho para estruturar o Aparelho de Poesia.</span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">No caderno, os poemas são apresentados tal qual os autores os registraram, mas são vistos como uma proposição. Aquela forma e a leitura convencional são a possibilidade inicial daquele poema, são propostas a serem fruídas tal qual se estabilizaram e também de forma criativa - desde que se respeite o que o autor nos propôs inicialmente em termos de linguagem poética. Só vale o que está escrito, mas vale ler diferente.</span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">Após algumas leituras convencionais, às vezes até antes, surgem leituras com mais de uma voz, numa ordem diferente dos versos, propondo novos cortes na sintaxe, de baixo para cima, do meio para as pontas, alternando versos, juntando com outro poema do caderno que interage na mesma emanação e tantas outras leituras que surgem a cada edição do Aparelho; além da fruição de poesia, estabelece-se ali um estado de criação poética, tal como acontece nos diversos espetáculos do Caleidos Cia em relação à dança.</span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">Vale lembrar, que na mesma virada de século - dos saraus, festivais, lambes e grafites - houve uma caminhada dos poetas em direção às artes de performance e foi no mesmo espírito de tirar a poesia do papel que se deu minha aproximação com a dramaturgia para dança por meio da poesia que desenvolvo ainda hoje no Caleidos Cia. E isso se liga a o</span><span class="fs12lh1-5">utro aspecto da dança que produzimos no Caleidos e que está no Aparelho de Poesia: a noção de fruição como participação e experiência. No Aparelho, tímidos leem, receosos se juntam e declamam, os que "só foram para ouvir" se entregam ao prazer de criar, coros surgem, leituras são tramadas, a poesia salta do papel e dança entre nós.</span></div><div><br></div><div><span class="fs12lh1-5">Muitas vezes, um mesmo poema se repete inúmeras vezes durante a noite, mistura de mantra e reza, de reafirmação e repactuação entre todos; em parte isso acontece pela força dos poemas; no Aparelho não há fronteiras de tempo, língua ou espaço. Safo pode aparecer ao lado de Leila Míccolis, Rimbaud e Leminski dialogam, russos, gregos e paraguaios convivem bem. As poucas regras para escolha de um poema são: ser de entendimento mais direto e numa leitura, não ser muito longo, acomodar bem na declamação e ser bem traduzido se for o caso. Mas há um ponto específico que faz com que um poema dialogue muito fortemente com as pessoas e precise ser repetido muitas vezes: é porque ele está dando voz e forma ao que elas já traziam, &nbsp;</span><span class="fs12lh1-5">e isso, entendemos, se deve à nossa busca de sempre propor arte que dialogue de maneira direta com as pessoas e suas questões, tanto na cia de dança como no Aparelho de Poesia. </span></div><div><br></div><div><span class="fs12lh1-5">Os Aparelhos de Poesia são temáticos. Cada encontro traz uma seleção de poemas diferentes s</span><span class="fs12lh1-5">obre um tema que os reúne naquele caderno, naquela noite. Muitas vezes o tema já está pulsando dentro das pessoas e um poema cataliza o encontro. &nbsp;</span><span class="fs12lh1-5">Após 54 edições, já declamamos poemas reunidos em cadernos chamados: "estas cidades" (poemas sobre cidades), "americanos" (poetas dos EUA), "noite de sol" (só poemas que trouxessem a imagem do sol), "dia de chuva", "sexy, erótico e pornô", "rua afora" (poemas sobre a rua), "ágora de agora" (poetas contemporâneos), "mulheres", "Carlos, Charles e Karls", "Paulos, Pauls e Pablos", "maio de Mários", "Augustos em agosto" e tantos outros temas dos quais precisávamos muito falar: "pra frente brasil", "para o seu governo" e "mor amor", "ares familiares". &nbsp;</span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">Essa reunião por temas, muitas vezes recoloca a poesia no lugar da voz coletiva que no fundo lhe dá sentido. E dessa forma o Aparelho de Poesia chegou a 54 encontros e 18 anos. Momentos mais quentes, outros menos procurados, mais alegres e criativos, menos lotados, mas sendo sempre nossa forma de dialogar com nosso tempo e com a forma de fruir poesia hoje; poesia viva no mundo do Verbo Desencarnado. </span></div><div><span class="fs12lh1-5"><br></span></div><div><span class="fs12lh1-5">Talvez o Aparelho tenha que mudar, tudo muda, a poesia mais e antes de tudo - poetas são inquietos. A voz do outro ecoa no Aparelho, poetas são descobertos, poemas redescobertos. </span><span class="fs12lh1-5">Na escuta a poesia se encarna e nós reencarnamos a cada Aparelho. Bem vindos!</span></div></div></div>]]></description>
			<pubDate>Mon, 29 Jul 2019 21:03:00 GMT</pubDate>
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			<title><![CDATA[Ponto de Partilha]]></title>
			<author><![CDATA[Fábio Brazil]]></author>
			<category domain="http://www.fabiobrazil.com/blog/index.php?category=recentes"><![CDATA[recentes]]></category>
			<category>imblog</category>
			<description><![CDATA[<div id="imBlogPost_998zyrn3"><p class="imTALeft"></p><div><span class="cf1"><span class="fs12lh1-5">Olá, bem vind@s a esse Ponto de Partilha, blog que passo a construir desde agora. </span></span></div><div><span class="cf1"><span class="fs12lh1-5"><br></span></span></div><div><span class="fs12lh1-5">Ponto de Parilha é também o nome do</span><span class="fs12lh1-5"> projeto com o qual fui contemplado no prêmio ProAc/poesia da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo em 2018. A criação deste site, a remontagem do espetáculo SILÊNCIO e a &nbsp;publicação de um livro reunindo uma mostra significativa de meus poemas completam as ações ligadas ao prêmio. &nbsp;O livro tende a chamar-se também Ponto de Partilha; c</span><span class="fs12lh1-5">omo escrevo antes da publicação em breve saberemos se a tendência se confirmou. Gosto do nome, o editor também aprovou, previamente. </span><span class="fs12lh1-5">Afinal, em poesia, para mim, partilha é o ponto. </span><span class="fs12lh1-5">Por aqui minha intenção é propor algumas reflexões e provocações a respeito de temas que me interessam: poesia, leituras, política, cultura e mídias em geral. Bem vindos. </span></div><span class="fs10lh1-5 cf1 ff1"><br></span><p></p></div>]]></description>
			<pubDate>Thu, 25 Jul 2019 13:37:00 GMT</pubDate>
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